terça-feira, 26 de julho de 2016

CGADB: Propaganda antecipada de pré-candidatos leva Comissão Eleitoral a se manifestar

Comissão Eleitoral alertou, em comunicado oficial, a irregularidade desta prática


Pastores José Wellington Junior e Samuel Câmara, atuais pré-candidatos à presidência da CGADB
Muitos políticos do meio secular quebram as regras quando fazem uso da chamada propaganda eleitoral antecipada. Esta, nas palavras de Arthur Rollo, consiste na divulgação de idéias e opiniões, visando captar a simpatia do eleitorado e obter-lhe o voto. Visando impor limites para isso é que a justiça eleitoral do país impõe uma série de restrições para as quais os candidatos a prefeito, vice-prefeito ou vereador, partidos e coligações devem ficar atentos a fim de que não recebam punições que vão de multa até mesmo detenção.
Essa normativa é também válida e reguladora do processo eleitoral no ambiente eclesiástico e a menos de um ano para as eleições do maior concílio assembleiano do país, a Convenção Geral das Assembleia de Deus no Brasil (CGADB), que acontece em abril de 2017, os prováveis candidatos foram alertados pela Comissão Eleitoral quanto a isto.
Irregularidades
Após ter chegado ao conhecimento da Comissão Eleitoral a existência de propaganda eleitoral antecipada por parte de possíveis pré-candidatos, esta emitiu um comunicado no site da CGADB alertando aos ministros sobre a irregularidade desta prática e também advertindo os possíveis envolvidos sobre as possíveis punições a quem não acatar as regras que, de acordo com o artigo 24 do Estatuto da convenção, pode ser advertência escrita, invalidação do registro do candidato ou perda dos votos.
Segundo o comunicado da Comissão, a resolução que vai regulamentar a propaganda eleitoral do novo pleito da convenção ainda será publicada e está aguardando somente a publicação do edital de convocação para a 43ª AGO da CGADB que deverá ser feito dia 01 de agosto. Enquanto isso, os candidatos devem aguardar os prazos e as regras estipulados pelo estatuto que diz que as propagandas só podem ser realizadas após a aprovação e publicação dos nomes dos candidatos. 
Pré-candidatos
Descartada uma possível chapa única para as próximas eleições da CGADB, o atual cenário conta com os dois nomes que já constam como pré-candidatos à presidência da instituição – Pastores José Wellington Junior e Samuel Câmara.
O pastor Samuel Câmara  fez o lançamento de sua pré-candidatura em abril deste ano, em Cariacica, no Estado do Espirito Santo, durante durante a 73ª  Assembleia Geral Ordinária da Confrateres, que reuniu milhares de convencionais do Estado do Espirito Santos e  estados vizinhos. A informação do lançamento da pré-candidatura oficial do pastor Samuel Câmara no evento, foi confirmado na época foi confirmada ao JM Notícia pelo pelo presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espirito Santo (CONFRATERES), pastor Ivan Bastos, tesoureiro da CGADB.
Em março de 2015, durante um evento em Palmas, o JM Notícia entrevistou o pastor Samuel que na época mostrou-se ainda receoso em colocar seu nome novamente para uma possível corrida eleitoral. O pastor afirmou na entrevista que naquele momento “menos do que sempre” pretendia lançar-se novamente a este projeto. “Se Deus tiver um projeto, ele vai ter que limpar essa área toda”, disse o líder assembleiano que já disputou três vezes a presidência da CGADB.
Atualmente o pastor Samuel Câmara tem se mostrado mais otimista em relação a sua candidatura e esta ganhou mais força após a liderança da Convenção ter selado a paz em acordo histórico no início deste mês e a Mesa Diretora ter reintegrado seu nome ao quadro convencional durante o evento no Rio de Janeiro.
Quem tem viajado o país em pré-campanha, é o presidente da Casa Publicadoras das Assembleias de Deus (CPAD), pastor José Wellington Júnior. Ele tem participado em diversas AGO’s  em vários estados e costurado apoio à sua candidatura. Recentemente em entrevista ao JM Notícia, o líder da Convenção do Sul do Maranhão (Comadesma), pastor José Alves Cavalcante afirmou que seu voto será do pastor José Wellington Júnior.
No Tocantins, Wellington Júnior sai na frente. Atualmente conta com o apoio da Ciadseta-TO, Coimadetins, ainda em processo de recebimento junto a CGADB, AD Missão ligada a Comadegb, do pastor Orcival Xavier.
Não sendo um usuário tão assíduo nas redes sociais como o pastor Samuel, o pastor JWJ trata mais pessoalmente com seus companheiros sobre seus projetos para a convenção que é liderada pelo seu pais há desde maio de 1988 (com exceção de 1989 e 1993-1995).
Entretanto, um dos auxiliares direto de seu pai, que é inclusive assessor de comunicação da entidade, tem usado as redes sociais para “desconstruir” as propostas do seu concorrente, conforme imagem abaixo onde fala sobre um dos assuntos que o pastor Samuel Câmara tem falado muito – a rotatividade de presidentes e da Mesa Diretora.
Fonte: jmnoticia

Com faixa, igreja pede que candidatos não visitem templo durante campanha

Pastor afirma que em três anos nenhum político esteve no local, por isso, em época de eleição visitas não são bem-vindas


Os partidos políticos ainda estão definindo seus candidatos a prefeitos e vereadores – em Novo Hamburgo até 4 de agosto acontecem as convenções –, mas a partir de 16 de agosto a campanha eleitoral está liberada. A partir daí, até o dia da eleição, em 2 de outubro, começa uma verdadeira guerra por votos. Nesse período se intensifica o chamado “corpo a corpo”, momento em que os candidatos vão às ruas pedir votos. Entre as ações estão visitas a entidades, associações e também igrejas.
É foi com a intensão de advertir os candidatos a não pedirem votos na Igreja Batista Nacional Avivar de Novo Hamburgo, que o pastor Juliano Souto colocou uma faixa, no mínimo, inusitada em frente ao tempo, que fica no bairro Rondônia.”Senhores candidatos a vereadores e a prefeito, estamos há três anos nesta comunidade e nunca tivemos o privilégio de suas visitas. Queremos continuar assim até outubro deste ano. Após este período, serão bem-vindos!”
“A nossa igreja tem consciência que deve influenciar em todas as áreas e nesta eleição queremos levantar a bandeira contra a hipocrisia e blindarmos nossa comunidade de maus elementos que abusam do poder público para se locupletar”, afirmou o pastor, completando: “Depois das eleições a igreja estará de braços abertos a nossa liderança municipal, pois temos que honrar as autoridades constituídas.”
Fonte: jmnoticia Com informações JornalNH

sábado, 23 de julho de 2016

Walter Santos é pré-candidato a vereador pela unidade da população e poder público

Pré-candidato a vereador Walter Santos


Por Jesiel Jeronimo, Jornalista

Walter Moacir dos Santos, natural de Curitiba, nasceu em 27 de agosto de 1980, 35 anos, mora em Colombo desde 1986 no Jardim Eucaliptos, casado com Giseli Grein Fernandes é empresário do ramo de serviços hidráulicos e manutenções. Como líder familiar é pai de seis filhos: Chistopher Wesley; Mariana e Manuela (gêmeas);  Walifer; Wallace; e Geisi Ellen. Walter Santos é pré-candidato a vereador pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS).

Ocupações profissionais

Walter Santos é um batalhador. Sua trajetória profissional passa por diversas ocupações. Foi sorveteiro, entregador de pão, boleiro, rebatedor e instrutor de tênis, motoboy, motorista particular, caseiro, manobrista entre outras. Jamais deixou de lutar por seus sonhos. A função de caseiro foi desempenhada entre 2000 e 2002 em São Paulo na residência da Família Tuma, família do senador Romeu Tuma (em memória). Nesse ambiente, conviveu um pouco com os maiores nomes da política brasileira.

Walter Santos na empresa Renaut em São José dos Pinhais
Outra experiência de vida foi na empresa Renaut do Brasil entre 2004 e 2008 em São José dos Pinhais. Nessa empresa desenvolveu as funções de operador multifuncional Júnior e operador multifuncional líder. Também foi eleito para dois mandatos consecutivos, presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Seu profissionalismo e zelo com suas responsabilidades o colocaram nessa importante comissão de segurança no Trabalho.

Tríplice jornada

No período estudantil entre 1995-1999 chegou a trabalhar em três empregos como: Garçon, rebatedor de tênis e vigilante/manobrista. A função rebatedor de tênis foi no Círculo Militar onde auxiliou a ex-tenista Giseli Miró, campeã com duas medalhas dos Jogos Pan-americanos de 1987, ouro individual e bronze ao lado de Fernando Roese. Foi vigilante/manobrista porque nesse período morava no local do trabalho. Após chegar da aula, ficava atento quando os clientes precisavam retirar seus veículos, mesmo nas altas madrugadas.

Empresário

Em 2009 montou a empresa WM Instalações, prestação de serviços hidráulicos, manutenção e desentupimentos. Mas antes, em 2007 trabalhou na área quando desempenhou atividades que lhe deram suporte para montar seu próprio negócio.

Walter Santos e a esposa Giseli Fernandes
Liderança na igreja

Walter Santos se converteu ao evangelho em 2007. Serve a Jesus Cristo na igreja Assembleia de Deus no bairro Jardim dos Eucaliptos onde mora e já atua como líder de célula, reunião feita nas casas para pregar a Palavra de Deus. É obreiro da igreja, serve como diácono.

Política

Convidado para pré-candidato a vereador, Walter Santos não imaginava essa possibilidade em sua vida. Mas como um bom guerreiro que é, aceitou o desafio. Suas bandeiras de luta estão voltadas para a área da segurança, saúde, esporte, ação social e urbanismo. Seus projetos passam pela união de esforços do poder público e voluntariado dos moradores da cidade. Walter Santos acredita na parceria dos munícipes colombenses.  

À frente da Câmara, Temer já foi crítico quanto a enxurrada de MPs

EDGAR SILVA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente interino, Michel Temer, sabe o que é sofrer com o excesso de envio de medidas provisórias ao Congresso. Como presidente da Câmara entre 1997 e 2001 teve de usar toda sua experiência política para contornar a enxurrada de MPs enviadas pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira (21) revelou que, mesmo interino, Michel Temer (PMDB) é o presidente da República que mais editou medidas provisórias no início de uma gestão desde Fernando Collor (1990). À época, o assunto mobilizou Câmara e Senado, já que tanto a demanda quanto a exigência de aprovação eram altas. No final de 1997, Temer disse que conversaria com FHC sobre o volume de MPs ao Congresso. ‘Estive com o presidente e pedi para que ele incluísse no texto da convocação extraordinária do Congresso, em janeiro e fevereiro [de 1998], o projeto de regulamentação das MPs.

O que vem ocorrendo é um abuso de autoridade do Executivo‘, afirmou o então presidente da Câmara. Naquela ocasião, segundo a reportagem apurou, Fernando Henrique mandou originalmente 103 MPs ao Congresso, uma média de quase três por mês, e reeditou estas e outras MPs 1.645 vezes. Apenas 26 MPs foram apreciadas, votadas e aprovadas pela Câmara e pelo Senado. Outro que também mobilizou parlamentares a respeito de medidas provisórias foi o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007). No final de 1999 o envio de MPs ao Congresso não tinha diminuído. Diante dos pedidos do ex-presidente, ACM criticou a conduta. ‘O vício do cachimbo põe a boca torta.

Os governantes, de 88 [ano da promulgação da Constituição, que criou o instrumento da MP] para cá, acham que dá para legislar por medida provisória. Aí, eu discordo do presidente Fernando Henrique‘. Apesar da regulamentação feita em setembro de 2001, segundo a qual as MPs não votadas pelo Congresso em até 45 dias passaram a obter prioridade de votação no plenário, barrando a análise de todos os outros projetos, Michel Temer voltou a ter problemas com os pedidos de medidas provisórias durante seu segundo mandato na presidência na Câmara. Em março de 2009, ele declarou que as MPs não deveriam trancar pauta. Pressionado pela baixa produtividade da Câmara, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) resolveu adotar nova interpretação da Constituição e anunciou no dia 17 de março que medidas provisórias não teriam prioridade de voto sobre outras propostas.

"O Legislativo não pode legislar. Enquanto houver medida provisória trancando a pauta, o Legislativo que se cale, silencie e preste obediência a este Poder extraordinário, enaltecido, que é o Poder Executivo... Se não encontrarmos uma solução, no caso, interpretativa do texto constitucional que nos permita o destrancamento da pauta, vamos passar, senhoras e senhores deputados, praticamente este ano sem conseguir levar adiante as propostas que tramitam por esta casa que não sejam as medidas provisórias."

Fonte: Bem Paraná

Suspeito largou a escola e converteu-se ao islamismo

Alison, um dos presos por possível envolvimento com terrorismo, é descrito como caseiro. Colega diz que ele falava de Estado Islâmico e Alá

SAQUAREMA - Preso por suspeita de envolvimento com um grupo terrorista na manhã de quinta-feira (21), Alison Luan de Oliveira, de 19 anos, mudou de vida no início do ano passado: deixou a escola pública onde frequentava o sétimo ano e converteu-se ao islamismo. Passava os dias em casa. “Só saía para comprar ração para os sete gatos dele”, disse o padrasto do jovem, na tarde desta sexta-feira.
“A gente aqui come arroz, feijão e salsicha. Como é que vai ter dinheiro para fazer uma bomba? Acho que isso tudo vai ser esclarecido. Alison é um rapaz quieto, na dele, excelente filho. Quando a polícia apurar tudo, vai ver que não tem nada disso, que é coisa de moleque”, afirmou o padrasto, que se identificou apenas como Sérgio. Ele explicou que não diria o sobrenome porque sua família, que vive em outro município, não sabe da prisão de Alison.

Cearense trabalha quase 100 horas por mês para comprar uma cesta básica

De acordo com a pesquisa do Dieese divulgada neste mês, a capital cearense possui a 2ª cesta mais cara da região Nordeste

Por Matheus Ribeiro



Comprar produtos alimentícios em supermercados de Fortaleza tem deixado o bolso cada vez mais vazio. Isso porque o preço médio dos produtos que formam a cesta básica do cearense está com uma variação de pelo menos 12% no ano. Com os produtos mais caros e a alta necessidade de subsistência, o esforço para comprar esses produtos também aumentou.
De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada no mês de julho pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o cearense tem que trabalhar 96 horas e 42 minutos no mês para poder comprar uma cesta básica mensal.
Tendo como exemplo uma pessoa que trabalha 44 horas semanais, ela precisará trabalhar duas semanas e um dia para poder comprar uma cesta básica em Fortaleza.
A análise do Dieese também apontou que a capital cearense possui a segunda cesta básica mais cara da região Nordeste do país, perdendo apenas para Teresina (PI). Enquanto os produtos em Fortaleza saem em média por R$ 386,78, na capital piauiense o valor sobe para R$ 395,69.
Ainda conforme o Dieese, para o trabalhador cearense adquirir uma cesta básica por mês é preciso desembolçar metade de um salário minimo. Segundo a pesquisa, o custo da cesta em Fortaleza comprometeu 47,7% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários).
Variação de preços
Em junho, três alimentos tiveram aumento em todas as capitais: feijão, leite e manteiga. Em Fortaleza, os preços aumentaram 46,8%, 6,3% e 10,14%, respectivamente.
Com base na cesta mais cara do país, que foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.
Em junho de 2016, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.940,24, ou 4,48 vezes o mínimo de R$ 880.

Terrorismo à brasileira: o que há por trás das prisões

A prisão dos suspeitos de preparar atentados na Olimpíada é correta e necessária, mas o barulho excessivo amplia de maneira exagerada o medo e a insegurança

Por Robson BoninEduardo Gonçalves



Estirado em um velho sofá azul, vestindo calças camufladas de combatente e com os cabelos desgrenhados, um jovem imberbe esforça-se para explicar a um interlocutor as suas convicções sobre algo que parece conhecer pouco, o Islã. Brasileiro, ele se confessa admirador de uma certa “doutrina do terror”. Explicando melhor, considera justificável que inocentes sejam assassinados em ataques suicidas para vingar a morte de muçulmanos. Ele sabe que está sendo filmado. “Fomos nós, muçulmanos, que invadimos o país deles?”, questiona. O diálogo não segue uma lógica cartesiana, mas fica claro que ele se refere ao atentado ocorrido na Flórida, em que 49 pessoas morreram num ataque terrorista a uma boate gay. “Mataram cinquenta lá. E os 10 000 do Afeganistão? Não tiro a razão dos caras”, diz. O rapaz sofre para organizar o raciocínio, enquanto pronuncia palavras arrastadas, balbucia coisas incompreensíveis, chegando a aparentar uma descompensação mental. Por fim, festeja o atentado em Nice, na França, que fez 84 mortos, “infiéis”, como ele os chama.
As cenas desse vídeo levaram a Polícia Federal a desencadear a operação antiterror da semana passada, a maior do gênero já vista no Brasil. Foram expedidos vinte mandados de busca e apreensão em dez estados. Onze homens foram presos e um ainda estava foragido até o fechamento desta edição de VEJA. Todos foram transferidos para o presídio de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O rapaz que admira a “doutrina do terror” vinha sendo monitorado havia meses por agentes da Divisão Antiterrorismo. Ele e outros onze brasileiros participavam de grupos que juraram lealdade ao Estado Islâmico, discutiam estratégias de combate, tentavam aliciar pessoas. Eram só observados, até o momento em que um deles tentou comprar um fuzil AK-47 pela internet, outro recomendou que fizessem treinamento de tiro, um terceiro conclamou os colegas a se matricularem em cursos de artes marciais — e todos conversavam sobre um ataque durante os Jogos do Rio de Janeiro.
Publicidade
A suposta “célula brasileira do Estado Islâmico” vinha sendo monitorada pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Os investigadores acompanhavam os passos do grupo pela internet, no Facebook, no Twitter e em aplicativos de troca de mensagens. A princípio, os “defensores da sharia”, código de leis seguido pelos muçulmanos radicais, não pareciam ameaçadores. Entre as mensagens captadas pela polícia estão discussões sobre se o grupo deveria ou não considerar a possibilidade de cometer um atentado no Brasil, já que, como disse um dos integrantes, o país não participa da coalizão que combate o Estado Islâmico (ao que outro participante retrucou que o Brasil não, mas alguns dos países que virão ao Rio para a Olimpíada sim). Em outro diálogo, um dos suspeitos afirma estar juntando dinheiro para “combater na Síria” e pergunta se alguém conhece um recrutador por lá. Nas mensagens, eles pronunciam palavras em árabe e trocam imagens de armas e vídeos que mostram execuções perpetradas pelos terroristas do EI. Também manifestam ódio aos xiitas — os membros do EI são muçulmanos sunitas. Os suspeitos presos na operação batizada de Hashtag são, na maioria, cidadãos de baixa renda que vivem na periferia das capitais.
Depois dos atentados em Orlando e Nice, e com a proximidade da Olim­píada, a polícia brasileira achou que esse bando de amadores não podia ser desprezado. Invocou a Lei Antiterror, recém-­aprovada, e pediu a prisão preventiva do grupo, decretada pelo juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba. Deflagrada num momento de tensão global com a ameaça de ataques, a operação provocou grande repercussão na imprensa mundial.
A ação policial está absolutamente correta do ponto de vista preventivo, mas acabou escancarando o que poucos brasileiros sabem: a disputa renhida entre a Abin e a PF pelo protagonismo no combate ao terrorismo. A Abin e a PF não se entendem, embora devessem trabalhar em parceria. Neste caso, a Abin defendia a ideia de que a “célula terrorista” continuasse sendo monitorada, sem alarde, mantendo-se a estratégia adotada em grandes eventos. Para a Abin, publicidade gera imitação. Outros grupos podem querer suplantar a atenção e promover atos ainda mais sensacionais. Além disso, a publicidade excessiva pode provocar medo, até pânico, em setores da população. Na Copa do Mundo, em julho de 2014, a Abin foi informada sobre a possibilidade de um atentado no Maracanã, inclusive com o uso de drones. Discretamente, deteve os suspeitos, fez um cerco ao estádio, bloqueou o espaço aéreo, e ninguém percebeu nada de anormal. É o que os serviços secretos chamam de “operação invisível”.
Com reportagem de João Pedroso de Campos, Caio Salles e Giulia Vidale
Fonte: Veja